Em sua 15ª edição, a pesquisa Panorama dos Treinamentos no Brasil oferece indicadores e tendências que ajudam na hora de tomar decisões estratégicas para a gestão de T&D nas empresas.

O estudo é feito por especialistas em Treinamento e Desenvolvimento, estatísticos, dados do mercado, professores e grupos de RH, e conta, ainda, com profissionais da área que contribuem com as suas métricas de gestão.

Dados sobre os segmentos da indústria, serviços, comércio e administração pública estão  divididos em três grupos: Investimentos e Eficácia, Distribuição das Ações e Resultados.

A gente trouxe um recorte resumido para você pegar os insights aplicáveis ao seu planejamento.

Investimento e Eficácia da área de gestão de T&D

Investimento

Segundo a pesquisa, considerando um período de 12 meses, que pode variar em relação ao ano fiscal, as Indústrias lideram o ranking, investindo, em média, 3,4% sobre a folha de pagamento anual em Treinamento e Desenvolvimento.

Isso demonstra que a necessidade de capacitação nas operações industriais segue crescendo nos últimos anos. Os avanços tecnológicos e de infraestrutura tornaram a especialização, dos colaboradores, crucial para o bom desempenho das empresas.

Em segundo lugar, estão as empresas de serviços, que investiram 2,1%. As empresas de comércio fecharam o período com um investimento de 1,8% sobre a folha anual.

Também foram avaliados os investimentos em T&D feitos em relação ao número de colaboradores das empresas. Nota-se que quanto menor o número de pessoas, maior tem sido o investimento por colaborador.

Corporações que empregam de 101 a 500 profissionais investiram R$ 1.651,00 por colaborador no período abordado pela pesquisa. Um valor alto e positivo, que demonstra o quanto a área de Treinamento e Desenvolvimento está se tornando cada vez mais importante.

Já as empresas de 501 a 1.000 colaboradores investiram a metade, cerca de R$ 810,00 por pessoa. Empresas com 1.001 a 5.000 profissionais mantiveram uma média próxima, investindo R$ 713,00 por pessoa, assim como as empresas com mais de 5.001 colaboradores, que pontuaram R$ 834,00 para cada colaborador.

Quando avaliados por setor, as indústrias também investem mais por colaborador, cerca de R$ 1.061,00 por pessoa. Em segundo lugar, estão as empresas de serviço, com R$ 1.026,00, seguidas por administrações públicas, com R$ 631,48. As empresas de comércio investiram em média R$348,00 por profissional.


Volume

Em relação às horas investidas por colaborador, em volume formal de treinamento – e não as capacitações que acontecem junto com as atividades normais do trabalho –, durante um ano, as indústrias registraram 24 horas por ano.

Já as empresas de serviços, comércio e administração pública investiram menos horas por profissional durante o ano, com uma média de 10 a 16 horas para cada um.

Esses números vinham caindo desde os últimos dois anos, mas voltou a subir em 2020. Isso pode ser explicado pela tendência do home office, por conta da pandemia, que além de garantir mais tempo para as equipes – descontando o período de deslocamento, por exemplo, ainda trouxe certa economia e facilidade para as empresas criarem capacitações de forma online.

Esse indicador ainda é um pouco questionado, afinal, mede a quantidade e não a qualidade investida nos treinamentos. Mas, de qualquer forma, vale a pena analisar e comparar se a sua empresa está na mesma média das corporações do seu setor. Mas vale deixar claro: esses resultados ainda são baixos e representam apenas 2,4 dias de trabalho durante o período de um ano.

Dimensão

Para alcançar os resultados relacionados ao tamanho das equipes que as empresas do Brasil têm para gestão de T&D, primeiro, foi preciso analisar o tamanho da área por porte. Depois, o número de colaboradores e setor.

Dessa forma, foi possível comprovar que a média, no Brasil, é de cinco pessoas na área de T&D por empresa, sendo duas em empresas de 101 a 500 colaboradores, três em empresas de 501 a 1.000 colaboradores, cinco em empresas de 1.001 a 5.000 colaboradores e dez em empresas com mais de 5.001 pessoas.

Em relação ao setor, as indústrias e o comércio registraram 995 pessoas na área de Treinamento e Desenvolvimento. As empresas de serviços têm, em média, 1.004 pessoas trabalhando com gestão de T&D, enquanto a administração pública lidera o ranking, com 1.175 especialistas nas instituições.

Em comparação aos anos anteriores, conseguimos perceber que, cada vez mais, temos um número de profissionais de T&D para uma maior quantidade de colaboradores nas empresas. Observamos, principalmente em relação às empresas com mais de 1.000 colaboradores, uma queda nos resultados.

Além disso, analisando os dados de investimento e volume, é provável que a indústria contrate mais profissionais de T&D nesse ano e contribua, substancialmente, para o crescimento dos números  no balanço do início de 2022.


Distribuição das ações de T&D por público, conteúdo, meio e método:

Público e conteúdo

Esse indicador define a estratégia do T&D nas empresas, mostrando a prioridade dos investimentos. Quando analisada a distribuição dos treinamentos formais por níveis hierárquicos, por exemplo, a liderança encabeçou os números, divididos da seguinte forma: 25% para alta liderança e 30% para gerência e supervisão – enquanto os não-líderes ficaram com 45% do investimento.

Também vale ressaltar que esse valor é 10% maior ao resultado do ano anterior da pesquisa, e o crescimento já está em seu terceiro ano consecutivo. Provavelmente, isso reflete a necessidade de uma liderança cada vez melhor, em tempos no qual a economia brasileira tem enfrentado tantos desafios. Outra hipótese é uma evolução cultural, que reforça a importância dos líderes para a performance da equipe, em  busca por melhores práticas de liderança e um ambiente cada vez mais saudável.

Em relação à tendência de conteúdos para treinamento, mais uma vez, as capacitações para liderança aparecem como prioridade em quase todos os setores abordados, com exceção para as empresas de administração pública, que colocam o trabalho em equipe em primeiro lugar.

Outro dado importante para comprovar a necessidade de treinar líderes em relação aos seus comportamentos é a preferência por treinamentos comportamentais para a alta liderança (52%) e gerência e supervisão (48%). Em segundo lugar aparecem os treinamentos técnicos, mas já com uma grande diferença de investimento: 28% para a alta liderança e 32% para gerência e supervisão.

Outros assuntos que também valem a pena considerar, observando as tendências são: comunicação, habilidades interpessoais, cultura, atendimento ao cliente, processos e integração.


Forma de entrega

Segundo o percentual de horas de treinamentos realizados, foi possível perceber, ainda mais, os impactos da pandemia no Brasil, quando muitos colaboradores passaram a fazer trabalho remoto, que oferece comodidade e versatilidade por meio da tecnologia.

Ainda assim, os números registaram: 56% treinamentos presenciais; 19% de forma online (EAD não ao vivo – autotreinamento); 18% online (EAD com professor ao vivo); e 7%EAD sem utilização de tecnologia, em formato de apostila ou manuais, por exemplo.

Aqui valem algumas análises importantes: apesar de permanecer na liderança, o percentual dos treinamentos presenciais caiu 27% graças às soluções de EAD, com ou sem tecnologia.

Em contrapartida, o óbvio foi concretizado, com o crescimento de 20% da realização de treinamentos online, ao vivo.

De qualquer forma, a presença de um facilitador ainda é muito relevante nas capacitações, considerando que 74% dos treinamentos deste ano foram conduzidos por um professor.


Ações de treinamento mais utilizadas no local de trabalho

Alguns dados interessantes obtidos na pesquisa de gestão de T&D, com porcentagens que representam o número de empresas que utiliza cada uma dessas metodologias.

Não aplicam treinamentos no local de trabalho Mentorias/Mentores internos Mentorias/Mentores internos Trocas de experiências entre colaboradores pessoalmente
21% nas indústrias
11% no serviço
25% no comércio
25% nas indústrias
24% no serviço
17% no comércio
21% nas indústrias
14% no serviço
33% no comércio
62% nas indústrias
86% no serviço
67% no comércio
Trocas de experiências por meio de tecnologia Rotação de posições de trabalho Job shadowing/”sombra” de algum profissional
38% nas indústrias
64% no serviço
33% no comércio
35% nas indústrias
21% no serviço
33% no comércio
18% nas indústrias
32% no serviço
25% no comércio

Resultados em T&D

Para analisar o resultado dos treinamentos para os colaboradores, o impacto no negócio, ou até retorno sobre investimento, é preciso colocar em pauta bons indicadores. A pesquisa trouxe os indicadores mais utilizados por cada segmento.

A porcentagem indica o número de empresas que mais prioriza cada um dos indicadores. Destacamos aqui os 5 mais valorizados entre os 20 indicadores pautados pela pesquisa:

Faturamento Produtividade Qualidade Clima organizacional Atender normas
indústrias 15% 30% 21% 6% 36%
serviços 10% 21% 38% 24% 41%
comércio 23% 31% 46% 15% 41%
administração pública 14% 29% 43% 43% 29%

Nota-se que os dois últimos anos tiveram resultados atípicos em relação à escolha dos indicadores. Afinal, cada vez mais as empresas estão usando menos indicadores de clima e processos e optando por indicadores de produtividade e qualidade. Um exemplo é que, apenas 5% das empresas entrevistadas, declararam não usar indicadores de efetividade.

Uma hipótese é que, cada vez mais, as empresas buscam justificar seus resultados de treinamento e desenvolvimento com resultados numéricos facilmente mensuráveis. E pode ser uma ótima estratégia para garantir orçamentos e volumes maiores no planejamento de capacitações da sua área.

Por que queremos compartilhar esses números com você?

Os resultados dessa pesquisa sugerem informações importantes sobre a gestão de T&D das empresas do Brasil, com os quais você pode comparar os dados da sua empresa e entender se ela está caminhando em direção às tendências e como a concorrência está se organizando.

Para nós, é importante ficar atento às mudanças do mercado, prioridades em investimentos, meios e objetivos de treinamento mais usados pelas organizações, para oferecer, sempre, o que há de melhor e mais inovador, em relação a capacitações corporativas aos nossos clientes.

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